Da Música ao Impacto Social: Minha Caminhada na Cultura Periférica
Salve, 2007. Foi ali que tudo começou: um trompete nas mãos, um sonho no peito e a vontade de fazer um som. Entrei pra Orquestra Nazireu e fiquei por sete anos. A música já falava alto, e em 2010 segui o fluxo na Fanfarra Municipal de Campinas, onde toquei tuba, flugelhorn, corneta e trombone. Era na rua, no ensaio, no palco — a música era meu lugar.
Quando a música me desafiou a mudar
Com o tempo, uma lesão no maxilar me afastou dos instrumentos de sopro. Foi um baque. Mas também foi a virada. Em 2014, cheguei na percussão e entrei pra Banda Pública como baterista e percussionista. Só que não parei por aí: comecei a cuidar da produção também, como Produtor Executivo.
Ali, entendi que a arte vai além do palco — é organização, é corre, é impacto. Coordenei mais de 30 eventos, realizamos 40 apresentações e alcançamos mais de 2 mil pessoas. Era cultura movimentando gente, criando oportunidades e fortalecendo vínculos.
Produção cultural como caminho de transformação
Entre 2018 e 2019, atuei no Coletivo de Produtores(as) Independentes Big Field Company. Peguei firme na gestão jurídica e financeira, participei da produção de eventos e do desenvolvimento de mais de cinco produtos culturais. No total, foram mais de 10 eventos realizados, 30 produções musicais finalizadas e mais de 15 lançamentos feitos na raça, com muito trampo coletivo.
Esse período me mostrou a força da autogestão e do trabalho em rede. Era resistência na prática: cada reunião, cada planilha, cada som lançado — tudo era feito entre nós, por nós.
Produção do Festival CriAtiva 2024 - foto por Rastro Urbano
Seguir produzindo no meio do caos
Em 2021, no meio do caos da pandemia, a cultura não parou — e eu também não. Atuei na produção de iniciativas que mantiveram a arte viva, mesmo com tudo fechado e o medo rondando. A rua silenciada ainda pulsava nas telas, nos sons, nos projetos que se reinventavam pra continuar alcançando a quebrada.
Essa fase só reforçou o que eu já sabia: arte salva, cultura transforma e, mais do que nunca, a periferia precisa ser protagonista da sua própria história.
Quando o corre vira coletivo: nasce o Naviela
Foi nesse contexto que nasceu o Naviela. Muito mais do que uma produtora musical, o Naviela é um movimento. Uma casa pra artistas da quebrada, uma rede de apoio, um espaço de criação e fortalecimento. A gente juntou vivência, talento e visão pra construir um projeto que abraça a música, mas também se preocupa com quem tá por trás dela.
No Naviela, a gente dá cursos, produz, distribui, faz gestão, cuida da parte técnica, fortalece o emocional e pensa junto o futuro de cada artista. É um espaço de troca real, onde cada conquista é coletiva. Ver o trampo de quem tava só com uma ideia virar música lançada, ver clip rodando, ver artista se reconhecendo como profissional — isso não tem preço.
Naviela é afeto e estratégia caminhando lado a lado. É arte e autonomia construídas com base na escuta, na vivência e no compromisso com o território.
O ponto de chegada (que na real é só o começo)
E é nesse corre que cheguei ao Inova Quebrada. Um projeto que carrega tudo isso que vivi: a potência da cultura periférica, a importância da gestão, e o compromisso com o impacto social. Aqui, a gente fortalece ideias, constrói caminhos e compartilha saberes.
O Inova Quebrada é onde minha caminhada encontra outras tantas, e juntas, essas histórias viram potência. A missão é uma só: abrir espaço, dar voz e transformar a quebrada de dentro pra fora. Porque quem vive a cultura todo dia sabe que ela não é só expressão — é ferramenta de futuro.
E o futuro já começou.


